terça-feira, 19 de novembro de 2013

O próprio

O verso é completo
Tem olhos, pernas, coração
Pode ter vícios e morte trágica
Pode crescer e amadurecer
O verso se reinventa
Diz o que quer e esconde seus defeitos
Reina soberano na literatura
É mistério e solução
O verso é humano, não é perfeito
Se cria na mente, se força a sair, se escreve inconscientemente
O verso é puro e obscuro
É completude de metade
É túnel sem luz
É infinitamente efêmero
Pois para existir
Precisa ser lido

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Por Aí

Pelas fotos e fatos
Passos e tropeços
Pessoas desconhecidas e aquelas que conheço
Se encontram
Se trombam
Se esbarram em quinas
Esquinas
Filas de metrô 
No parque
No cinema e nos campos
De futebol, de interior
De guerra
Seja ela de todos
Ou minha
Ou sua
De quem quiser
Ou quem não queria
São mundos que colidem 
Misturam
Despencam 
Constroem-se
Realidades e estórias
Contáveis e indizíveis
Sofridas e alegres
Amorosas e odiosas
Paradigmas inimagináveis
Que transbordam
Pelas fotos e fatos

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Devaneios

Sabe, queria ser poesia...
Não poeta! Queria ser arte
Ser parte, partícula
Flutuar sossegadamente na mente sensitiva de alguém
E de repente, existir!

Cada órgão ser uma letra,
Cada olhar ser uma vírgula,
Cada movimento ser um acento

E quando a caneta parar
Me ver perfeitamente em cada verso
Ouvir o coração batendo
No som desigual de cada sílaba
Ver minhas escolhas
Nos versos assimétricos
E sentir ser acariciada
Toda vez que for lida

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Redemoinho

Explode no peito a vontade
De chorar
De desistir
De fugir

Para na garganta
A angústia
A dor
O coração apertado

Formiga nas mãos
O arrependimento
As palavras não ditas
As imagens geladas

O que faz de mim
Mais
Ou menos
Ou nada

quarta-feira, 29 de maio de 2013

E se a lua
Não quisesse ser a lua...
Poderia ser crua?
Poderia ser nua?
Poderia ser sua?