quinta-feira, 15 de março de 2012


nenhuma música consegue alcançar
nenhuma palavra traduzir
consegue falar por si
pelos olhos
pelo sorriso
pelo suspiro
cheguei a ser descrente
e chorar como chora o céu no verão
mas vem...
e mesmo incrédula
caio em contradição
e firme, defendo com garra
o que agora é meu
jogada e desperta
ainda sonho
e vem...
e então? não importa mais
ou importa e por isso sorrio
Feliz

Curta viagem

Com destino certo
Caminhava perdida em pensamentos
Aqueles que conseguem suprimir o sorriso
E de repente, senti um perfume
Tão banal e tão extraordinário
Tão normal e tão inesperado
Tão puro que invadiu minha mente sem ao menos pedir licença e soprou pra longe meus devaneios
Assim como Proust, me transportou para outro lugar que não o presente
Ao pousar em mim, trouxe a quietude de um deserto
E a profusão de existência de uma metropole
Aquele sorriso sincero que se dá a chuva bem vinda
Aquela satisfação de amor feito na grama
Aquela tranquilidade de criança que se distrai com uma borboleta
Aquela paz de ganhar abraço
Foram milissegundos
Sentindo o frescor da relva recém-cortada molhada de orvalho
Mas que me deram o prazer repentino e efemero do cheiro da felicidade

No verão

Dias contados num pingo d'água
Vidas contadas em pingos d'água
Como se pudéssemos contar o mundo em pingos em um lago
Como se pudéssemos viver como uma gota que se mistura no mar

Sentir a simplicidade na viva H2O
Fluir naturalmente no ato de respirar
Sorrindo para o céu cinzento

É mais vida que se junta a nós

(Tentei fazer) Metalinguística



E nasceu a necessidade de criar
Unindo palavras soltas e voadoras
Cortes de melodias
Pura doçura que invade o olhar
E faz com que seja devaneio e esperança

Pedacinhos de papel colorido
Picote de sensação
Envolvida em pétalas aveludadas
De voz suave

Inverte a semântica
Confunde o esperado
Enlaça o coração e num suspiro
Se forma uma gota de emoção
E nasce um bocadinho de vida
Um fio de luz efêmero
Um pingo de cor diáfano
Um verso

Sorrateiro desejo



Queria ter em mim
Um amor que me quebrasse
Me fizesse chão e me fizesse luz
Um amor que irradiasse
A alegria contagiante
E um sorriso infantil sem fim
Queria amar todos os dias todos os dias
Como se fosse um único momento feliz
Queria jogar pra cima todos os medos
Vê-los voar pesadamente e vê-los cair como pedaços de tempestade
Queria ser forte na fraqueza do medo
E olhar infinito sem segredos
Me perder num eu que não existe em mim
Mas hoje, vejo cinza o dia ensolarado
E ainda não canto as belas canções
Sonho tendo a vivacidade que se encolhe no meu peito
Fazendo-me pequena demais para alcançar
Olho os beijos com rapidez com medo de senti-los
E perceber que não são meus
Sou errante e cega
Fria e cansada
Pegadas no caminho que transformo
Olhando o regato à minha frente
Um coração tão crédulo e pulsante
Preso pelas veias que se fazem correntes
Algemado pelas lágrimas
Trancado pela dor
Somente a vida o acessa e o obriga a bater
Eloquentemente perdido no próprio corpo
Que entoando uma aguda canção
Me desperta infeliz... Queria ter um mim um amor



Adeus

E se foi
Como se não tivesse estado aqui
Suavemente
Abriu espaço para a canção
Não mais aguentava
Ocupar todos os espaços
Porque todos os espaços teriam outra cor
Outro sonho


Foi sereno, benéfico e bem vindo
Mas é frágil, se desmancha
E chegou a hora de ir
Com um abraço e um sorriso gentil
Como um amigo que sai com missão cumprida
Ele vai...


O silêncio